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Livros: Rota 66

4 de junho de 2011

Título Original: Rota 66
Gênero: Livro Reportagem
Autor: Caco Barcelos
Edição: 11
Ano: 2010
Editora: Record
ISBN: 9788501065261
Número de páginas: 350
Nota pessoal: 4

O tema do Desafio Literário de Maio foi Livro Reportagem, e a Déia do Blog do Fundo Falso me emprestou este livro, que foi minha primeira experiência com este tipo de literatura.


Sinopse:
Caco relata em 350 páginas as ações de policiais da Rota que matam indiscriminadamente. Revelando detalhes omitidos pela polícia e mostrando que nem sempre a polícia mata somente os bandidos, se que sua maioria são os mocinhos.

Citações que me chamaram a atenção:
"...O saldo da matança da PM, somente até 1975, já é maior, portanto, que o número de mortos e desaparecidos políticos durante todo o período de 21 anos de ditadura militar."
Fonte: página 89
Os números levantados por Caco são assustadores.
"-Não me entrego coisa nenhuma, não sou bandido!
-Você esta cercado!
-Vão embora que amanhã eu me entrego na delegacia. Isso não são horas de bater na casa de trabalhador.
-Você é bandido. Saia senão vai morrer.
-Se é para morrer, quero ser morto dentro de casa. Mas vou levar um de vocês comigo."
Fonte: página 267
Única pessoa citada no livro, Oseas, peitou com honra os policiais, mas claro que foi abatido e morto na frente de sua família, mulher e filhos, causando traumas profundos nas testemunhas que não conseguiram provar a inocência de Oseas.
"Se a pena de morte fosse boa a Rota já tinha transformado São Paulo em um paraíso." (Octávio Ribeiro, o Pena Branca, em Abril de 81)
Fonte: página 327

Achei que esta citação mostra bem a ação da Rota sobre a minoria oprimida.

Sobre a estrutura do livro:
A capa é bem mais bonita do que a primeira edição. As páginas são brancas, porém as letras são de bom tamanho.
A narrativa é ótima, muito intensa e no estilo de reportagens que assistimos, eu me senti assistindo um especial relacionado ao tema. Porém a história vai e volta no tempo durante os capítulos, então temos que estar bem atentos na leitura para colocá-la no tempo certo.
Muitas estatísticas são mostradas, todos os relatos são bem estruturados e baseados em anos de pesquisa.

Crítica:
Caco mostra como as milícias existentes desde a década de 70 são bem estruturadas, todas as vezes em que ele quis mostrar os problemas encontrados em sua investigação foi barrado, certa vez até teve sua demissão ocasionada por uma das autoridades Militares. Em sua investigação ele constatou que mais de 60% das mortes ocasionadas pelos PM's são de inocentes que nunca foram fixados ou então tiveram crimes leves como roubo, mas nenhum segue o perfil traçado nos relatórios policiais como sendo assassinos ou estupradores.
Um fato que me chamou a atenção fora os números mostrados, as mortes ocasionadas pela Rota tinham um gasto publico elevadíssimo, em muitas vezes o "suposto" crime que originou a perseguição passava a ter um valor irrisório perto dos gastos incorridos durante a perseguição seguida de morte.
O único ponto negativo, na minha opinião, é o excesso de números mostrados, estatísticas são constantes no decorrer da narrativa, e isso se tornou um pouco cansativo, por estar presente na maioria dos capítulos, acho que se no final do livro tivesse um resumo dos números seria mais interessante para a visualização sem sobrecarregar o texto.
O livro é muito bom e me trouxe uma experiência de conhecer fatos históricos da época dos meus pais e que se passaram quando eu era criança e não me lembro.

Este livro me lembrou:

Durante toda a leitura deste livro, não tive como deixar de lembrar da música "Veraneio Vascaína" do Capital Inicial. O que antes para mim era simplesmente uma música, hoje, depois de terminar este livro, faz todo o sentido.



E vocês o que acharam? Se interessaram pelo livro? Caso queria adicionar na sua estante do Skoob basta clicar na capa do livro acima.

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