#VocêTemUmaMenteMilionária

HQs e o Mestre: Will Eisner

31 de janeiro de 2013


Estive pensando esses dias: Já que a dona-senhora do Blog, Viviane Ferreira, com toda bondade e pureza me ofereceu esse espaço para fazer o que bem quiser – mas tudo dentro do limite, sem gifs de gatinhos segurando armas de fogo e focas bailarinas falantes – com as palavras “O espaço é seu, Vô. Faça o que quiser lá!” tive a idéia de às vezes abordar profundamente o conhecimento que existe (não só o pouco que eu tenho) sobre os quadrinhos a cada quinta feira da semana. Para não ficar na monotonia de “resenhas dos mais conhecidos e explicação da nem-tanto-atualidade” seria legal e bem importante explicar algumas coisas que aconteceram lá atrás.

Não afirmo aqui que se você quiser inicializar ou conhecer mais um pouco seja necessário saber de tudo para até mesmo ter uma autoafirmação de si mesmo nesse meio - o que é muito comum entre as pessoas hoje em dia, principalmente os adolescentes. Mas é importante saber algo. Não ao todo. Pelo menos quando você estiver conversando entre amigos e alguém tocar no assunto e você poder mostrar que conhece ou o mais conhecido “já ouvi falar...”. Conhecimento e interesse são bons, mas não o ausente.

Então foi que enfim resolver criar a coluna que leva o nome do título desse post. Sério, se existe alguém responsável por nos dar a dádiva de ler e adorar um papel com desenhos e pequenos textos são os mestres e criadores, os autores.

Se num possível TOP 3 de pessoas mais influentes e importadas na história dos quadrinhos fosse constituído  por Jesus, Mahatma Gandhi e Will Eisner, com certeza Will Eisner estaria em primeiro lugar merecidamente.


Will Eisner – esse cara sou eu da arte sequencial



Eisner é considerado um dos mais importantes artistas de histórias em quadrinhos e uma das maiores influências no desenvolvimento do gênero. Filho de judeus imigrantes e nascido nos EUA, Will, ainda na sua adolescência, contribuiu-o com a sua genialidade em importantes revistas do passado. Um tempo depois Eisner ao lado do seu amigo Jerry Iger fundou a Eisner-Iger Studio, onde trabalharam grandes nomes das histórias em quadrinhos como Bob Kane (nada mais que o criador do conhecido Homem Morcego, o Batman) e o (meu favorito) Jack Kirby (responsável por dar vida a simples personagens marvelsísticos como, Capitão América, X-MEN, Homem de Ferro... Bem simples, não?!)

 Ao fim da década, Eisner e Iger se dividiram e Eisner ingressou na Quality Comics onde finalmente conseguiu criar uma das obras mais memoráveis e reconhecidas da história e da sua carreira chamada “The Spirit”.
 
The Spirit é considerada uma das obras mais importantes das histórias em quadrinhos por pesquisadores e fãs. Conta a história de um detetive mascarado, Denny Colt, um herói sem superpoderes que protege os habitantes da cidade fictícia de Central City. A série se destacou pela inovação dos enquadramentos quase cinematográficos, os efeitos de luz e sombra e as inovadoras técnicas narrativas, além da qualidade do roteiro e da arte. Sempre a presença de belas mulheres, cenas hilariantes, melodramáticas, mas que enfatizavam sobretudo o aspecto humano dos personagens.


Ele também é considerado por ser um dos progenitores do termo “Graphic Novel” (como foi citado no meu segundo post aqui no blog) com o seu trabalho chamado “Um Contrato com Deus”. Eisner alavancou a sua carreira também com outros romances gráficos. O último deles chamado “A Cospiração” o seu trabalho mais intenso e político lançado no ano de 2005 sobre a história do livro “Os Protocolos dos Sábios de Sião”. A importância de Will é tão grande que a indústria dos quadrinhos prestou tributo à Eisner criando o Prêmio Will Eisner, mais conhecido como "Eisners", que servem como uma premiação pelo "conjunto da obra" nas histórias em quadrinhos.

Infelizmente no mesmo ano de lançamento do seu último trabalho, aos 87 anos de idade, perdemos o mestre William Erwin Eisner devido a complicações naturais após uma cirurgia cardíaca. Além de tudo que esse homem conseguiu doar a história dos quadrinhos e especialmente a certo momento da história nomeado por pesquisadores e fãs como “A Era de Ouro dos Quadrinhos”, Will mostrou ao mundo que histórias em quadrinhos não são meio de entretenimento apenas para crianças e adolescentes.


Uma das várias curiosidades sobre esse homem é que ele era fascinado pelo nosso país. Visitou-o várias e várias vezes. E certa vez destacou que apesar de amar o Brasil, não poderia de jeito nenhum mudar para cá porque não conseguia falar o nosso idioma direito. Mas havia uma palavra em português que ele adorava e era incomparável a qualquer outro idioma, principalmente ao inglês: a saudade.


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